Outro dia acordei e, antes de ir pro trabalho, notei que passava na Mtv um clipe do Urban Dance Squad. Era “Deeper Shade of Soul”, música que tanto lembro de ter escutado em festinhas.
Num dos lados da tela, no entanto, uma pequena marca me chamou a atenção. E bastou aquilo para mudar a minha perspectiva de tudo. Dizia ali:
“Mtv Lab Clássicos”
Clássicos. Se “Deeper Shade of Soul” é um clássico, isso quer dizer que eu sou um velho. Daqueles que já diziam, quando eu ainda não era velho, que Led Zeppelin é que era rock’n'roll.
(Isso sem levar em conta que eu sou daquele tipo que diz que Beatles sim é que era rock’n'roll.)
Eu, o velho, que ouvia clássicos nas festinhas dos meus tempos de garoto, fui correndo ao banheiro para contar os fios brancos de cabelo. Não eram poucos. Em especial, considerando-se o tanto de cabelo que tem me sobrado, o que já é outro sinal de idade.
Foi aí então que eu decidi repensar minha carreira na música. Se estou velho, não vou convencer ninguém pulando em um palco, jogando a guitarra pra lá e pra cá, pisando no pedal de overdrive e deixando todos surdos com tanta microfonia. Quando é um guri que faz essas coisas, ele é um rebelde, um revolucionário. Mas quando é um velho, ele é só um velho chato (ou, no mínimo, coloca o som alto daquele jeito porque já não consegue mais ouvir direito).
Meus dias de loucura acabaram. Nunca mais atravesso a rua fora da faixa, não danço mais breakdance e também não devolvo a fita na videolocadora sem rebobinar antes – não faço mais essas coisas de moleque.
Por isso, de agora em diante eu faço música de velho. Sentei-me em frente ao laptop, peguei o violão – desplugado mesmo – e gravei uma música que eu tinha feito para as Testemunhas de Geribá, minha velha banda de surf-music.
É uma música instrumental e ficou muito mal gravada. Fiz tudo sem a menor paciência, porque é típico de gente da minha idade não ter paciência para as coisas.
Quando terminei de gravar, tomei uma sopa, pus a meia e fui dormir, amaldiçoando a garotada que passava empolgada na rua, indo para uma noitada em plena segunda-feira.
De qualquer modo, a música está aí, embora não saiba dizer bem pra que. Dei o nome de “Maré”, também não sei dizer por que. Mas pelo menos é uma música de velho, e com isso eu posso me identificar. Se você fizer questão de ouvir, não diga que eu não avisei (pelo menos, é bem curta):
Não ter cabelo não é sinonimo de ser velho.
Eu não tenho cabelo desde os 13, e nem tive cancer.
mas que musica de velho!
Não há nada que eu odeie mais que segundas-feiras. Especialmente quando o termo balada está diretamente ligada a elas. Essa juventude não sabe se divertir.
Descobri que eu estava ficando velha quando encontrei a minha melhor amiguinha da primeira série e ficamos conversando sobre o “nosso tempo”.Mas descobrir que se está velho é triste. Eu agora tenho medo de comer azeitonas com caroço
Oi Daniell, tudo bem por aí?
Eu to velho a ponto de ter achado a música excelente.
Eu sinto saudade de quando você postava aqui. Por onde anda você?
Ficar velho só é melhor que a alternativa.
Avisa se morreu, por favor…
Opa.
Estou vivo. Não morri ainda não.
Logo mais, conto os detalhes.
Aí na Polinésia Francesa não tem internet?
Daniell,
Talvez esteja na hora de arrumar uma namorada, ou melhor esposa, e se possivel tambem um filho.
Quem sabe com essas pessoas a mais no seu cotidiano o tempo para lembrar que esta velho suma, e assim voce nao perceba isso.