Sou um sujeito tranquilo e sossegado. Evito a todo custo a prática do bungee jumping. É que não sou adepto de esportes radicais. E como meio de transporte, me parece ser de pouca utilidade.
Não sou chegado a adrenalina, emoção e aventura. Prefiro dinheiro, sono pesado e Coca-Cola bem gelada.
Minha parca experência com qualquer esporte radical talvez tenha sido radical demais. Era um jogo de pôquer com as cartas em chamas, sobre um pequeno bote inflável descendo uma erupção vulcânica no Havaí.
Como de costume, me dei mal. Jogávamos pelas regras da Guatemala, com um baralho de procedência duvidosa. Só me faltava um 18 de avestruzes para eu completar um Royal Straight Flush Invertido 360 Graus. Para o lance ficar mais radical ainda, fiquei num pé só e apostei tudo.
Dois dos outros jogadores caíram no blefe e desistiram. Mas o terceiro me deu jab de direita, arremessando-me no rio de lava. Perdi todas as minhas fichas e meu celular parou de funcionar, afogado em magma.
Desde então, evito qualquer coisa ligeiramente arriscada. Por exemplo, sempre confiro se os cadarços dos tênis estão bem amarrados, antes de entrar numa escada rolante.
Eu sou um cara chato e jumpo também. Tanto que até deixo uma resposta aqui, já que me convidaram…
Esporte radical para mim é comer farinha, com a mão e contra o vento. A raiz tuberosa em pó entra nos olhos, nariz e garganta e me faz gastar meu cartão SUS com aquele cara, o ginecologista de garganta.
André na Lina que eu conheço é um casal de shows eróticos numa boate safada da Princesa Isabel. O cheiro é que não é bom e às vezes ainda espirra na turma da fila do gargarejo…
Atualmente sono prá mim tem vindo em gramas… uma leve ideia de ficar vendo filmes de sacanagem na madrugada e achar os diálogos fantásticos que até me incentivam a entrar no ramo de roteirizar isso. Coca-Cola? Uma pra mim também.
Poquer tô fora mas surfar nas “larvas” até que deve ser legal. Perdeu celular? Sorte sua… ninguém vai mais te ligar na hora do tal sono pesado para contar uma besteira que você vai ficar com tanta raiva que vai até perder o sono.
Para escada rolante? Use o elevador com qualquer calçado.
Eu não falei que era um cara chato?!!
Eu tenho a fama de ser uma pessoa fleumática. Quando salto de bungee jump, sempre faço aquela cara blasé enquanto tomo um chazinho de hortelã e dou uma olhada na Folha Ilustrada.
Não costumo me impressionar com esportes radicais e já dormi em pleno vôo da esquadrilha da fumaça. Eu era um dos pilotos.
É que desenvolvi nervos de aço depois de trabalhar numa escola infantil por delirantes e frenéticos 8 meses.
Hoje sou capaz de encarar qualquer desafio, sem temor: grandes altitudes, labaredas gigantescas, feras selvagens, criaturas do além, bibliotecárias prolixas, ninjas, filme do Tom Cruise, tudo.
Talvez a única coisa ainda capaz de me causar espanto seja a prodigiosa capacidade da minha mãe de colecionar potes vazios de margarina. Por via das dúvidas, sempre que a visito evito abrir os armários da cozinha, para não causar uma avalanche.
“Não sou chegado a adrenalina, emoção e aventura. Prefiro dinheiro, sono pesado e Coca-Cola bem gelada.”
por isso que eu te amo pra sempre, <3
” Era um jogo de pôquer com as cartas em chamas, sobre um pequeno bote inflável descendo uma erupção vulcânica no Havaí.”
E eu insisto em gostar desse exagero demasiado…
Não me atrevo a deixar um comentário.
Na verdade a maior adrenalina que passei foi tentar entrar no túnel da cachoeira de São tomé das letras e sair em machu Picho.
Acordei três dias depois nas ilhas cagarras.
Devo ter andado para o lado errado.