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Archive for maio \08\UTC 2018

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A última atividade física que eu lembrava de ter feito era pedra-tesoura-papel, mais de 20 anos atrás. Eu era um talento promissor, poderia até mesmo ter competido nas Olimpíadas, se eles não tivessem escolhido o pentatlo moderno no lugar do jokenpô.

Mas minha carreira de atleta foi interrompida em um torneio ilegal, no subsolo de um prédio sujo de Hong Kong. Jogadores de pedra-tesoura-papel de mundo inteiro se reuniam ali, todos os anos, para descobrir quem era o melhor do mundo.

Resolvi que estava pronto para essa competição, mas a coisa lá era séria. Sofri uma contusão durante um combate: coloquei papel e meu adversário colocou martelo. Eu nunca havia visto aquela manobra. Acabei sendo levado direto para o hospital, onde passei semanas me recuperando.

Desde então, vinha me poupando de todo tipo de exercício, preferindo sucos que não pedem para você agitar a garrafinha antes de beber, por exemplo.

No entanto, tomei uma decisão pouco tempo atrás e entrei no judô. Já havia feito quando criança, mas não é como andar de bicicleta: esqueci absolutamente tudo. Preciso reaprender do zero, com a desvantagem de estar bem mais velho, sem flexibilidade e com uns quarenta anos de experiência que me ensinaram que cair, em geral, dói.

A aula de judô tem sido, antes de tudo, um exercício de humildade. Mas, no meu próprio ritmo, estou progredindo: hoje já sei contar até dez em japonês, durante o aquecimento.

E mesmo isso, nas primeiras aulas, foi bem difícil. Não sabia em que contagem o Sensei estava, então eu me perdi nas repetições. Quando a turma toda estava no abdominal de número nove (“kyu”), eu achava que era pra ser o quadragésimo segundo. Acabava o aquecimento esgotado, em um canto da sala, tentando lembrar o número do Samu.

Golpe propriamente dito, só tenho dois no repertório (“o soto gari” e “koshi guruma”), que muito raramente consigo aplicar direito. Para compensar, conheço algumas ofensas que, quando bem utilizadas, podem desestabilizar emocionalmente o outro judoca.

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